Conheça Cinthia Bem, nossa nova colunista

A coluna Morar Bem tem uma nova assinatura. Nossa parceira é a arquiteta Cinthia Bem, que vai informar você sobre arquitetura, decoração, design e urbanismo. Nossa colunista se apresenta hoje falando um pouco sobre os bairros vizinhos do Poço da Panela e Casa Forte, região onde sempre morou e trabalhou.

 

Cinthia Bem

 

Na vida, todo começo é um marco e dentre as memórias que mais nos marcam com certeza estão as de infância. Por isso, creio ser conveniente iniciar minha primeira coluna neste espaço falando sobre os contrastes destes dois bairros que fazem parte da minha história.

Moro em Casa Forte desde que nasci. E das lembranças que tenho dos anos 80 para cá, muito mudou. No começo, até o início dos anos 90 mais ou menos, ao sair de um bairro e entrar no outro ainda não notava grandes diferenças. O Poço da Panela tem ainda hoje aquele ar de recanto nobre de cidade pequena e histórica: o calçamento das ruas delineado entre as árvores, o casario imponente que transpira tradição.

 

 

Naquela época, uma das raras distrações do bairro era ir a pé até a única sorveteria da região, saindo da Praça de Casa Forte até às proximidades da praça Pessoa de Queiroz, onde a imagem do índio lembrava que ali esteve a Rádio Jornal do Commercio, de onde “Pernambuco falava para o mundo”.

O tempo passou: por trás do muro da antiga sede da rádio surgiu um imponente hipermercado. Minha mãe já não precisava correr para Casa Amarela atenta ao relógio, apreensiva que o único supermercado em um raio de quilômetros fechasse. Eu me perguntava: “Será que um dia teremos um shopping por perto? Ah, um cinema seria o máximo…”

Hoje, quando volto a caminhar pelas ruas da minha infância, a comparação é inevitável. Pelas limitações impostas, o Poço da Panela, de forma geral, conserva o ar bucólico de sempre. Já Casa Forte tem outra paisagem. Mudei-me do prédio onde nasci, um dos poucos na época. Do terceiro andar, que me parecia tão alto àquela época, fui para um apartamento no 11º pavimento, em outra rua, de onde acompanho o estacionamento do shopping para decidir se vou de carro ou a pé. Da janela fito o horizonte e comparo a altura dos prédios vizinhos: aquele tem 40 andares, é o mais alto? Quantos apartamentos tem aquele outro ao lado?

 

 

Parando para refletir um pouco, não sei se, pesando os prós e os contras, a qualidade de vida está melhor ou pior. Outro dia uma jovem portuguesa, em minha varanda, respirou encantada o ar ainda agradável das noites do Recife e admirou a imagem moderna, imponente e iluminada que viu ao redor. Está certo que a fila de carros já às 8h da manhã, parece querer mostrar impossível se manter aquele charme. Já não dá para ir à Universidade Federal em 10 minutos de carro, como fazia meu pai. Mas ir caminhando até à academia, comprar o ingresso do cinema antecipadamente na volta, olhar as vitrines para escolher o móvel que mais me agrada para a decoração do meu quarto, essa praticidade que o desenvolvimento urbano trouxe tem lá suas vantagens.

Mas quando a saudade bate, ainda posso ir passear no velho Poço da Panela e respirar o passado, a história e a tranquilidade, sempre que a vontade vem. É um privilégio poder desfrutar destes dois mundos, que retratam duas épocas.

 

 

 

 

 

Cinthia Bem formou-se arquiteta pela FAUPE em 2011. Desde então trabalha com projetos de interiores e construção. Escolheu a arquitetura porque sempre valorizou a importância de se viver bem, com conforto e em uma espaço que tenha a cara do morador.

Escritório: Av. Flor de Santana, 148, Casa Forte, Recife-PE
Contatos: 8833-8442 / 9769-0606
Mail: cinthia.bem@hotmail.com

 

 

 

 

 

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